Sérgio Bezerra discursa na entrega do Troféu Jangadeiro

Sérgio Bezerra discursa na entrega do Troféu Jangadeiro
Publicado em 13/11/2024 às 22:27

O jangadeiro é o símbolo da coragem e da perseverança do povo cearense. Ao lançar ao mar a sua frágil embarcação em busca do alimento que proverá a sobrevivência dele e a de sua família, o Jangadeiro não exercita apenas estes dois atributos uma vez que muitos outros preceitos são inerentes à profissão.

Para enfrentar e vencer a imensidão e os mistérios do mar, o Jangadeiro planeja, organiza, dirige e controla o destino da jangada e o de sua tripulação, do mesmo modo que o Administrador utiliza funções semelhantes para promover a gestão das atividades e das pessoas nas organizações, sejam elas públicas ou privadas.

Senão, vejamos.

Antes de adentrar o mar, o Jangadeiro fixa a rota a ser seguida, estabelece o número de dias de viagem, calcula o peso e o volume máximo do pescado que a jangada suporta e se informa acerca das condições climáticas e do fluxo das marés.   Todas essas tarefas compõem a função de planejar.

De igual maneira, o Administrador também estabelece, previamente, as ações da empresa e as de sua equipe, mediante a elaboração e a fixação de planos, programas, valores, objetivos, metas, processos e procedimentos, a constituírem, também, todos esses passos, a função de planejar.

Em seguida, o Jangadeiro seleciona as pessoas e distribui as tarefas da tripulação, abastece de água e suprimentos a jangada, verifica o estado físico das redes de pesca, a situação dos equipamentos, tais como o mastro, a vela, os bancos, o remo, as cordas, a tábua de bolina, as redes, os anzóis, a âncora e os samburás. Essas medidas caracterizam o ato de organizar.

Da mesma forma, o Administrador recruta, seleciona e treina os recursos humanos que comporão a sua equipe de trabalho, analisa e decide sobre os meios físicos, financeiros, materiais e equipamentos necessários à execução das atividades, bem como desenha a estrutura organizacional e determina os níveis de autoridade e de responsabilidade, em cumprimento à norma básica da profissão que requer um lugar para cada coisa e cada coisa em seu devido lugar. Trata-se, com a mesma dimensão, da função de organizar.

No que diz respeito à função de dirigir pode-se citar o exemplo épico, mas hoje pouco lembrado, da heróica viagem marítima empreendida por quatro jangadeiros cearenses, de Fortaleza ao Rio de Janeiro, no ano de 1942, a percorrerem os 2.381 km em uma frágil jangada feita de toras de piúba, que levou nada menos do que 61 dias, saga imortalizada no cinema pelo grande Orson Wells no filme “It’s all true”, em português “É tudo verdade”. Manoel Olímpio Meira (o Jacaré), Raimundo Correia Lima (o Tatá), Manoel Pereira da Silva (Mané Preto), sob a forte liderança de Jerônimo André de Souza (o mestre Jerônimo) tornaram-se heróis nacionais porquanto, além do inédito feito até então, o motivo da ousada viagem foi alertar o Presidente Getúlio Vargas das precárias condições em que viviam os jangadeiros do Ceará. Mestre Jerônimo exerceu na plenitude a arte de liderar e comandar os homens sob a sua responsabilidade, o que bem demonstra a capacidade prática de o jangadeiro exercer a função de dirigir, no cotidiano, os membros de sua tripulação.

Esse pressuposto também faz parte da rotina do Administrador visto que ele adquire, ao longo de uma sólida formação profissional, os conhecimentos técnicos relativos ao ato de dirigir os membros de sua equipe, consubstanciados, hoje, na vasta bibliografia sobre os mais distintos estilos de gestão. Talvez esse seja o mais nobre atributo do Administrador, pois o conceito mais simples, mas ao mesmo tempo mais profundo de Administração, afirma que “Administrar é conseguir coisas mediante o trabalho de pessoas”. Assim sendo, é válido afirmar que o Administrador, a exemplo do Jangadeiro, também desempenha, em seu dia a dia, a função de dirigir.

Finalmente, para exercer de forma produtiva as atividades laborais da profissão, resta ao Jangadeiro cumprir a tarefa de controlar todas as ações sob a sua responsabilidade, que vão da navegação à gestão de pessoas, a culminar com a comercialização do pescado que é a finalidade maior do seu ofício. Verifica-se, portanto, ser o ato de controlar uma função rotineira do Jangadeiro.

Assim como é para o Jangadeiro, a função de controlar é também uma relevante ferramenta para o Administrador uma vez que permite verificar se os planos e projetos estão em consonância com os objetivos, as metas e o orçamento fixados. Enseja ainda um acompanhamento permanente das diversas etapas de um projeto, a avaliar se os processos e procedimentos são coerentes com os propósitos planejados.  É evidente, portanto, que é prerrogativa do Administrador a função de controlar.

Após essa breve explanação, é fácil constatar que os argumentos apresentados demonstram, de forma muito nítida, os vários pontos coincidentes entre as funções do Jangadeiro com as do Administrador.

Além disso, o fato de esse homem do mar representar a bravura, a tenacidade, à firmeza de espírito para enfrentar adversidades e o moral forte perante o perigo, características típicas do povo cearense, já tão acostumado a enfrentar as mais duras adversidades ao longo da história, levaram as instituições representativas da profissão de Administrador no Ceará a instituir e denominar de Troféu Jangadeiro a láurea magna da categoria, que é concedida, uma única  vez por ano, e somente a um Administrador.

Em 2024 a Academia Cearense de Administração, o Conselho Regional de Administração e a Associação dos Administradores do Estado do Ceará deliberaram homenagear o colega Sérgio de Araújo Lima Aguiar outorgando-lhes a comenda maior da categoria, o Troféu Jangadeiro.

Ao ilustre colega, as mais sinceras felicitações pelo merecido prêmio. Muito obrigado.

Discurso proferido pelo Administrador Sergio Bezerra na entrega do Premio Jangadeiro ao Deputado e administrador Sérgio Aguiar.