O ditador togado, o filho intocável e a farsa oficial do 8 de Janeiro

Há momentos em que o poder já não se preocupa em parecer legítimo. Ele impõe, intimida e celebra a própria arbitrariedade. O Brasil vive exatamente isso. Não por acidente, não por excesso — mas por método.

O ditador togado, o filho intocável e a farsa oficial do 8 de Janeiro
Publicado em 10/01/2026 às 10:39

Há momentos em que o poder já não se preocupa em parecer legítimo. Ele impõe, intimida e celebra a própria arbitrariedade. O Brasil vive exatamente isso. Não por acidente, não por excesso — mas por método.

Alexandre de Moraes já não disfarça: governa

Alexandre de Moraes anulou a ordem do Conselho Federal de Medicina para apurar a conduta médica no atendimento a Jair Bolsonaro. Não satisfeito, mandou a Polícia Federal intimar o presidente do CFM. Isso não é decisão judicial. É intervenção autoritária.

O CFM não investigava a Polícia Federal. Investigava atos médicos, algo que a lei obriga o Conselho a fazer. Médicos da PF têm CRM e estão submetidos à fiscalização profissional — ponto final.

Moraes:

  • agiu de ofício;
  • sem provocação;
  • sem objeto definido;
  • falando em “possíveis crimes” genéricos.

Quando um juiz manda investigar um conselho profissional inteiro porque ele ousou cumprir a lei, não estamos mais no Estado de Direito. Estamos no Estado do Medo. Nenhuma instituição escapa. Nenhuma autonomia é tolerada. Há um só poder — e ele veste toga.

Perseguição como método: Filipe Martins Filipe Martins foi transferido de prisão sem aviso à defesa e à família, afastado deliberadamente de seus parentes. A Lei de Execução Penal prevê o direito à proximidade familiar. Aqui, a regra é invertida: isolar, cansar, quebrar. Não se trata de segurança. Trata-se de pressão psicológica. É assim que regimes autoritários operam quando não conseguem condenar — punem antes.

STF comemora a própria narrativa

Enquanto isso, o Supremo “celebra” o 8 de Janeiro como “vitória da democracia”. Exposição.
Documentário.
Mesa-redonda.
Roda de conversa.
Autocongratulação.

O tribunal que:

  • censura;
  • legisla;
  • investiga;
  • acusa;
  • julga;
  • e pune

resolveu também comemorar. É o poder celebrando a si mesmo.
Algo típico não de democracias maduras, mas de regimes autocentrados.

E o filho de Lula?

A Polícia Federal investiga se Lulinha é sócio oculto do Careca do INSS, um dos operadores do roubo contra aposentados.

Há mensagens.
Há entregas em endereço ligado à família.
Há intermediários conhecidos.
Há histórico patrimonial suspeito.

E há, claro, a velha defesa:

“Ele não sabia.” Curiosamente, quando o sobrenome é Bolsonaro, a presunção é de culpa eterna.
Quando é Lula, a presunção é de inocência hereditária.

O mundo se move — o Brasil se apequena

Enquanto isso:

  • Maduro é capturado;
  • a Venezuela sangra;
  • Cuba perde agentes;
  • Trump redesenha alianças;
  • os EUA abandonam o globalismo.

E o Brasil? Cala. Justifica ditadores. Persegue adversários internos. Finge normalidade institucional.

O retrato final

  • Um juiz que manda mais que a Constituição.
  • Conselhos profissionais intimidados.
  • Presos isolados.
  • Narrativas oficiais encenadas.
  • Investigações seletivas.
  • Um poder que já não se explica — ordena.

Isso não é excesso. É regime.

Se você ainda acredita que o Brasil vive uma democracia normal, procure saber dos fatos. A realidade não passa por filtro ideológico nem por autorização judicial. Aqui não se pede licença para pensar. Quando o arbítrio se normaliza, a lucidez se torna um ato de resistência. Porque, hoje, pensar claramente é um ato revolucionário. E resistir  é o maior ato de coragem.