O ditador togado, o filho intocável e a farsa oficial do 8 de Janeiro
Há momentos em que o poder já não se preocupa em parecer legítimo. Ele impõe, intimida e celebra a própria arbitrariedade. O Brasil vive exatamente isso. Não por acidente, não por excesso — mas por método.


Há momentos em que o poder já não se preocupa em parecer legítimo. Ele impõe, intimida e celebra a própria arbitrariedade. O Brasil vive exatamente isso. Não por acidente, não por excesso — mas por método.
Alexandre de Moraes já não disfarça: governa
Alexandre de Moraes anulou a ordem do Conselho Federal de Medicina para apurar a conduta médica no atendimento a Jair Bolsonaro. Não satisfeito, mandou a Polícia Federal intimar o presidente do CFM. Isso não é decisão judicial. É intervenção autoritária.
O CFM não investigava a Polícia Federal. Investigava atos médicos, algo que a lei obriga o Conselho a fazer. Médicos da PF têm CRM e estão submetidos à fiscalização profissional — ponto final.
Moraes:
- agiu de ofício;
- sem provocação;
- sem objeto definido;
- falando em “possíveis crimes” genéricos.
Quando um juiz manda investigar um conselho profissional inteiro porque ele ousou cumprir a lei, não estamos mais no Estado de Direito. Estamos no Estado do Medo. Nenhuma instituição escapa. Nenhuma autonomia é tolerada. Há um só poder — e ele veste toga.
Perseguição como método: Filipe Martins Filipe Martins foi transferido de prisão sem aviso à defesa e à família, afastado deliberadamente de seus parentes. A Lei de Execução Penal prevê o direito à proximidade familiar. Aqui, a regra é invertida: isolar, cansar, quebrar. Não se trata de segurança. Trata-se de pressão psicológica. É assim que regimes autoritários operam quando não conseguem condenar — punem antes.
STF comemora a própria narrativa
Enquanto isso, o Supremo “celebra” o 8 de Janeiro como “vitória da democracia”. Exposição.
Documentário.
Mesa-redonda.
Roda de conversa.
Autocongratulação.
O tribunal que:
- censura;
- legisla;
- investiga;
- acusa;
- julga;
- e pune
resolveu também comemorar. É o poder celebrando a si mesmo.
Algo típico não de democracias maduras, mas de regimes autocentrados.
E o filho de Lula?
A Polícia Federal investiga se Lulinha é sócio oculto do Careca do INSS, um dos operadores do roubo contra aposentados.
Há mensagens.
Há entregas em endereço ligado à família.
Há intermediários conhecidos.
Há histórico patrimonial suspeito.
E há, claro, a velha defesa:
“Ele não sabia.” Curiosamente, quando o sobrenome é Bolsonaro, a presunção é de culpa eterna.
Quando é Lula, a presunção é de inocência hereditária.
O mundo se move — o Brasil se apequena
Enquanto isso:
- Maduro é capturado;
- a Venezuela sangra;
- Cuba perde agentes;
- Trump redesenha alianças;
- os EUA abandonam o globalismo.
E o Brasil? Cala. Justifica ditadores. Persegue adversários internos. Finge normalidade institucional.
O retrato final
- Um juiz que manda mais que a Constituição.
- Conselhos profissionais intimidados.
- Presos isolados.
- Narrativas oficiais encenadas.
- Investigações seletivas.
- Um poder que já não se explica — ordena.
Isso não é excesso. É regime.
Se você ainda acredita que o Brasil vive uma democracia normal, procure saber dos fatos. A realidade não passa por filtro ideológico nem por autorização judicial. Aqui não se pede licença para pensar. Quando o arbítrio se normaliza, a lucidez se torna um ato de resistência. Porque, hoje, pensar claramente é um ato revolucionário. E resistir é o maior ato de coragem.
Revista Timeline – Luís Ernesto Lacombe







