Marcha à ré: EUA devem reduzir investimentos diretos no Brasil

Os Estados Unidos, principal fonte de investimento estrangeiro no Brasil, devem diminuir o ritmo de novos aportes em razão do agravamento da disputa tarifária entre os dois países.

Marcha à ré: EUA devem reduzir investimentos diretos no Brasil
Publicado em 17/08/2025 às 9:50

Os Estados Unidos, principal fonte de investimento estrangeiro no Brasil, devem diminuir o ritmo de novos aportes em razão do agravamento da disputa tarifária entre os dois países.

Atualmente, os norte-americanos destinam ao Brasil quatro vezes mais recursos do que o segundo colocado no ranking do Banco Central. Em 2023, último dado consolidado, foram registrados US$ 272,8 bilhões contra US$ 66,8 bilhões vindos da Espanha. O balanço referente a 2024 será apresentado em 26 de setembro.

De acordo com Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o estoque já existente de investimentos norte-americanos deve permanecer estável.

Porém, ele alerta para a redução imediata do fluxo de capital. “A empresa americana situada no Brasil não vai expandir o investimento enquanto houver essa pendência tarifária. Isso vai afetar o investimento futuro”, explicou em entrevista ao Poder360.

Barral destacou ainda que as companhias devem adotar cautela até que ocorram avanços nas negociações. “Provavelmente os Estados Unidos podem perder o título de maior investidor anual, mas vão continuar por muito tempo sendo o maior em estoque de investimentos”, afirmou.

Segundo ele, a manutenção desse volume se deve à presença consolidada de diversas multinacionais norte-americanas que enxergam potencial no mercado consumidor brasileiro.

Segundo levantamento preliminar do Banco Central, os Estados Unidos seguem disparados na liderança entre os países que mais investem no Brasil, com US$ 272,8 bilhões. A Espanha aparece em segundo lugar, com US$ 66,8 bilhões, praticamente empatada com a França, que registrou US$ 66,3 bilhões.

Na sequência estão Uruguai (US$ 58,5 bilhões), China (US$ 53,2 bilhões), Reino Unido (US$ 52,7 bilhões), Alemanha (US$ 44,1 bilhões), Holanda (US$ 39,8 bilhões), Japão (US$ 35,2 bilhões) e Suíça (US$ 29,1 bilhões). O Banco Central divulgará os números definitivos referentes a 2024 em 26 de setembro.

Empresas que mais investem no Brasil
Ranking – Empresa – Setor – Receita líquida (R$ bilhões)

9º – Cargill – agronegócio – 124,1 46º – Mosaic Fertilizantes – química e petroquímica – 28,4 100º – Whirlpool – eletroeletrônica – 11,5 132º – AGCO Brasil – veículos e peças – 9,3 152º – FS Agrisolutions – bioenergia – 8,1 155º – BP Bunge – bioenergia – 7,9 178º – Alcoa – metalurgia e siderurgia – 7,1 215º – Pfizer – farmacêutica e cosméticos – 5,6 239º – FMC – química e petroquímica – 5,1 251º – Sylvamo – papel e celulose – 4,9

Os riscos existentes entre as relações diplomáticas tem provocado pela guerra comercial o aumento e a desconfiança dos investidores. Dai, o crescimento no risco tem gerado menos investimento em qualquer área no Brasil;

O pior cenário desenhado desde essa guerra política-jurídica instalada numa falsa democracia e como dizem, estado de direito, está levando a situação desastrosa e que tende a se agravar se o Brasil resolver retaliar os Estados Unidos. Caso o Brasil resolva colocar tarifas de 50% provavelmente Trump irá elevar as taxas para 100%. Em um pior cenário, com a escalada da guerra comercial, o congelamento dos investimentos pode afetar a situação da balança de pagamentos do Brasil.

Hoje, a conta corrente brasileira é altamente deficitária e a balança comercial ajuda a reduzir a diferença. Ajudando a equilibrar o saldo pelo ingresso de investimento estrangeiro que injeta dólares no país.

As empresas dos Estados Unidos, que historicamente têm sido o principal investidor internacional, caso venham a ser proibidas de aportar recursos, o Brasil irá ter sérias consequências na balança de pagamentos, com isso irá impactar nas reservas internacionais.

Portanto, fica a alerta, nenhuma outra nação poderá substituir os Estados Unidos, como o maior investidor no Brasil. E a China ou outros grandes players tem condições de assumir essa posição dos EUA. Daí,, estamos a enfrentar um sério risco e consequentemente termos uma forte desaceleração econômica, com uma drástica redução de investimentos.

Fontes: Direita Online / Poder360 – Imagens: Reprodução online