Donald Trump lança tarifaço global

Donald Trump lança tarifaço global
Publicado em 03/04/2025 às 16:29

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou hoje uma nova política comercial, que inclui um aumento significativo nas tarifas de importação, com destaque para os produtos brasileiros, que serão taxados em pelo menos 10%.

O republicano apelidou a data de “Dia de Libertação” e anunciou um “tarifaço” global, adotando a regra da reciprocidade entre os países. A medida visa corrigir o déficit de US$ 1,2 trilhão que os EUA têm com o resto do mundo, com o objetivo de fortalecer a economia do país.

As novas tarifas “recíprocas” anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, consolidam o início de uma nova era de riscos e incertezas na economia global.

A política de Trump se baseia na aplicação de tarifas que representam metade do imposto cobrado pelos países estrangeiros sobre os produtos americanos. Por exemplo, o Japão, que impõe uma taxa média de 46% sobre bens dos EUA, verá impostos de 24% sobre seus produtos vendidos nos Estados Unidos.

As novas tarifas de Trump, terão um impacto negativo no mercado norte-americano, embora ainda não se saiba qual será exatamente esse peso.

Durante o anúncio, Trump usou uma tabela para ilustrar as novas taxas impostas a diferentes países, incluindo a União Europeia, e enfatizou que a medida era uma ação “recíproca”, em resposta ao que ele considera práticas comerciais injustas de outros países, que, segundo ele, têm prejudicado a economia americana por décadas.

O presidente declarou que, com essa medida, “os Estados Unidos voltarão a ser ricos”, refazendo o “sonho americano” e corrigindo as distorções comerciais.

Trump justificou a implementação do tarifaço afirmando que, ao longo dos anos, outros países impuseram tarifas elevadas aos EUA, além de aplicar barreiras não monetárias que prejudicaram a indústria americana.

O presidente acusou essas nações de manipular suas moedas, subsidiar suas exportações e roubar propriedade intelectual dos Estados Unidos, utilizando regras comerciais que considerou injustas. Ele finalizou seu discurso dizendo que os EUA estão entrando em uma “era de ouro”, com um fortalecimento substancial de sua indústria.

Para Enrico Cozzolino, sócio e líder de análises da Levante Investimentos, vai ser ruim, porque vai taxar o consumo”, diz Cozzolino. “E perto de 50% das empresas que estão no S&P [um dos principais índices da Bolsa de Nova York] têm dificuldade de projetar o lucro futuro diante das incertezas provocadas pelas mudanças tarifárias”.

Na avaliação de André Valério, economista sênior do Banco Inter, a primeira reação do mercado às medidas anunciadas por Trump foi negativa. “A visão é a de que as tarifas colocarão a economia dos Estados Unidos em direção à recessão, com os juros de 10 anos recuando fortemente para em torno de 4,10%”.

O novo pacote de tarifas promete impactar diretamente as relações comerciais entre os EUA e diversos países, incluindo o Brasil, que deverá sentir os efeitos das novas taxas impostas. 

O anúncio de Trump comprovou que os principais alvos da disputa comercial dos Estados Unidos é a China, cuja alíquota de importação ficou em 34%, uma das mais elevadas do “tarifaço”, as taxas também elevadas para países com uma indústria têxtil forte, como Vietnã (46% de alíquota) e Camboja (49%). Isto pode fazer parte do objetivo de Trump que é atrair indústrias para os EUA. Onde esses setores têm cadeias produtivas que empregam bastante gente.

Já a tarifa estipulada para o Brasil que ficou num patamar de 10%, é “razoável”, ficando entre as menores definidas pelo governo dos EUA. No entanto, Trump sempre anuncia um cataclismo e depois senta à mesa para negociar. Vamos esperara e ver o que acontecerá daqui para frente. E isso inclui as eventuais contramedidas que podem ser adotadas por outros países.

Essa taxação atrapalha a importação de produtos brasileiros, mas não será um grande problema, porque no geral, o plano de Trump não é nada exitoso. E a indústria não irá voltar para os EUA e os consumidores é que irão pagar mais caro pelos produtos.

Fonte: Metropoles / Direitoonline – Imagens: Internet e Metropoles