BC alerta para cenário inflacionário e sinaliza juros altos por mais tempo

BC alerta para cenário inflacionário e sinaliza juros altos por mais tempo
Publicado em 25/03/2025 às 15:29

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central alertou, em ata divulgada nesta terça-feira (25), que o aumento das projeções inflacionárias para prazos mais longos dificulta o alcance da meta de inflação, exigindo taxas de juros elevadas por um período prolongado.

O documento destaca que o cenário inflacionário se tornou “mais adverso” e que todos os membros do colegiado demonstraram preocupação com a deterioração das expectativas. “A convergência da inflação à meta se torna mais desafiadora com expectativas desancoradas, exigindo uma política monetária mais restritiva por mais tempo”, afirmou o comitê.

O boletim Focus mais recente aponta que o mercado espera que o IPCA atinja 4,5% em 2026, o teto da meta do BC. Para 2027 e 2028, as projeções são de 4% e 3,78%, respectivamente. O centro da meta é de 3%, com uma margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

O Copom prevê novo estouro da meta de inflação em junho e destacou que os preços dos alimentos seguem pressionados, com impactos esperados sobre outros itens no médio prazo. Além disso, a volatilidade do câmbio pode influenciar os preços de bens industrializados nos próximos meses.

Na última reunião, realizada em 19 de março, o comitê elevou a taxa Selic de 13,25% para 14,25% ao ano e indicou que novos aumentos devem ocorrer, ainda que em ritmo menor. Apesar de evitar um compromisso com um percentual específico, o BC reforçou que o ciclo de alta dos juros não está encerrado.

O Copom também destacou sinais de desaceleração no crescimento econômico, embora o mercado de trabalho permaneça aquecido. No setor de crédito, foi observada uma redução no ritmo de concessões devido à elevação dos juros e à menor disposição dos bancos em assumir riscos.

O comitê também expressou preocupações em relação à política fiscal expansionista do governo, ressaltando a importância de uma coordenação eficaz entre as políticas fiscal e monetária. A falta de progresso nas reformas estruturais e as incertezas em torno da dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra, o que teria um impacto negativo sobre a condução da política de juros no país, dificultando o controle da inflação e impactando a economia no longo prazo.