O DESMONTE SILENCIOSO CONTRA O PRODUTOR RURAL BRASILEIRO

Nos últimos meses, declarações e medidas vindas de membros do governo federal têm mostrado um descompromisso alarmante com o agronegócio brasileiro — setor responsável por quase 25% do PIB nacional, mais de 40% das exportações e por manter o Brasil como líder global em produção de alimentos.

O DESMONTE SILENCIOSO CONTRA O PRODUTOR RURAL BRASILEIRO
Publicado em 03/09/2025 às 7:22
Por Celso Ricardo Ferreira – Consultor em Gestão Estratégica em Agronegócio

Nos últimos meses, declarações e medidas vindas de membros do governo federal têm mostrado um descompromisso alarmante com o agronegócio brasileiro — setor responsável por quase 25% do PIB nacional, mais de 40% das exportações e por manter o Brasil como líder global em produção de alimentos.

Ministros como Carlos Fávaro (MAPA), Rui Costa (Casa Civil) e Paulo Teixeira (MDA) vêm fazendo declarações e propostas que colocam em risco a segurança alimentar, a competitividade do setor e a sobrevivência de milhares de produtores.

1. A Política de Importação: Punindo quem produz no Brasil Em vez de construir uma política que fortaleça o produtor nacional, temos visto falas e medidas favoráveis à importação de alimentos:
• Redução de tarifas de importação defendida por Fávaro e Rui Costa (jan/2025), sob justificativa de alinhar preços domésticos ao internacional.
• Importação de arroz pós-enchentes no RS sem planejamento de apoio ao produtor local, sinalizando falta de previsibilidade e confiança no mercado interno.
Problema: Essas decisões, tomadas sem estudos de impacto, pressionam os preços recebidos pelo produtor e criam um ambiente de insegurança que desestimula investimento e plantio. Em vez de incentivar a produção, o governo opta pelo atalho do “abre importação”, sacrificando toda a cadeia produtiva.

2. Narrativa enganosa: o mito de que o povo “paga a dívida do agro” Rui Costa chegou a dizer que “o povo deixa de pagar escolas para pagar dívidas de produtores”. Essa narrativa é falsa e populista:
• O crédito rural (Plano Safra) não é esmola. É um instrumento de política agrícola com retorno econômico direto: para cada R$ 1 investido, retornam múltiplos em impostos, emprego e exportação.
• Renegociações não se devem a má-fé, mas a eventos climáticos extremos (secas históricas, enchentes no RS) e crises globais.
• O setor rural é superavitário: em 2024, o agronegócio gerou US$ 166 bilhões em exportações, ajudando a equilibrar contas externas.
Problema: A fala desmoraliza quem sustenta o país e desvia a atenção de gastos públicos ineficientes, corrupção e da estrutura cara do próprio Estado.

3. Reforma Agrária sem critério: mais assentamentos improdutivos O Ministério do Desenvolvimento Agrário (Paulo Teixeira) anunciou 60 mil novas famílias assentadas até 2026.
• Estudos mostram que mais de 60% das áreas de assentamentos existentes estão subutilizadas ou improdutivas por falta de assistência técnica, infraestrutura, crédito e gestão.
• O governo insiste em expandir um modelo que não funciona em vez de reformar, auditar e melhorar os assentamentos atuais.
• Em vez de fortalecer o produtor, a política prioriza discurso ideológico, sem metas claras de produtividade ou geração de renda.
Problema: Ampliação de assentamentos sem correção dos gargalos existentes significa mais recursos públicos investidos em estruturas ineficientes.

4. A Hipocrisia do Governo: quem realmente “tira dinheiro do povo” Enquanto acusa produtores de serem “patrocinados pelo povo”, o governo:
• Aumenta ministérios e cargos de confiança, onerando os cofres públicos.
• Investe bilhões em publicidade e marketing político, enquanto corta recursos de infraestrutura rural.
• Falha em oferecer políticas de logística, armazenamento e escoamento, obrigando produtores a arcar com custos altíssimos.
Realidade: O agro sustenta o Brasil, mas é tratado como inimigo por uma narrativa que serve a interesses ideológicos.

5. Conclusão: Um chamado à responsabilidade O agronegócio brasileiro não é vilão, é pilar estratégico da economia.
• Demonizar quem produz enfraquece o Brasil internamente e no comércio internacional.
• Importações irresponsáveis e discursos populistas desestimulam investimento e colocam em risco a segurança alimentar.
• É hora de exigir políticas baseadas em dados, resultados e transparência.
O produtor rural merece respeito. Ele não pede favor — pede condições de trabalhar.