Manifesto de um Produtor Rural Brasileiro: A Voz de Quem Produz e Não Aguenta Mais

Eu sou produtor rural. Seja na pecuária, seja na agricultura, eu sou quem planta, cria e alimenta o Brasil e o mundo. Mas, hoje, preciso dizer, com toda a sinceridade: não dá mais para seguir assim.O que é ser produtor no Brasil hoje? É produzir a qualquer custo. É viver refém de preços que não controlo, de políticas públicas que só existem na propaganda, e de tributos que corroem o pouco que me sobra. É ver o governo dizer que somos a “locomotiva do país”, enquanto nos abandona à própria sorte quando a estiagem destrói a lavoura ou quando o frigorífico derruba o preço da arroba do boi.

Manifesto de um Produtor Rural Brasileiro: A Voz de Quem Produz e Não Aguenta Mais
Publicado em 22/05/2025 às 10:24
Por Celso Ricardo Ferreira – Consultor em Gestão Estratégica para o Agronegócio, Escritor e Palestrante.

Eu sou produtor rural. Seja na pecuária, seja na agricultura, eu sou quem planta, cria e alimenta o Brasil e o mundo.
Mas, hoje, preciso dizer, com toda a sinceridade: não dá mais para seguir assim.

O que é ser produtor no Brasil hoje?
É produzir a qualquer custo.
É viver refém de preços que não controlo, de políticas públicas que só existem na propaganda, e de tributos que corroem o pouco que me sobra.
É ver o governo dizer que somos a “locomotiva do país”, enquanto nos abandona à própria sorte quando a estiagem destrói a lavoura ou quando o frigorífico derruba o preço da arroba do boi.

Produzo com risco total e retorno mínimo.
✅ O clima: imprevisível, cada vez mais extremo, me obriga a investir em tecnologia que não posso pagar.
✅ O crédito: escasso, caro, burocrático. Quando consigo, os juros e prazos são incompatíveis com meu ciclo produtivo.
✅ A política de preços: inexistente. Quem define quanto vale o meu boi ou a minha soja é quem compra, não quem produz.
✅ Os custos: só sobem: fertilizantes, defensivos, combustíveis, mão de obra, energia. Tudo mais caro, mas minha receita não acompanha.
✅ Os impostos: pesam em cada hectare plantado, em cada cabeça vendida, em cada caminhão que sai da minha propriedade.
✅ A infraestrutura: ruim, cara e ineficiente. Perco produção e dinheiro na estrada, enquanto o governo finge que investe.

E a insegurança?
Jurídica:
Nunca sei se amanhã minha propriedade será invadida, embargada ou acusada de crime ambiental.
Regras mudam toda hora, decisões judiciais contraditórias.
Sanitária:
Faço a minha parte, vacino meu rebanho, cuido da biosseguridade, mas se surgir uma doença, o prejuízo é só meu.
Falta apoio técnico, falta fiscalização séria, falta um plano de contingência de verdade.
Comercial:
Vendo no escuro, muitas vezes sem saber se vão me pagar a prazo ou se vão me desclassificar por critérios que nunca me explicaram.
O discurso não paga minhas contas
O governo fala que o Brasil “pode ajudar a combater a fome do mundo”.

Mas me pergunto:
Se não consigo sequer garantir a viabilidade da minha propriedade, como posso ajudar o mundo?
Quem vai garantir comida na mesa se eu for à falência?
O que eu espero como produtor rural?
• Respeito: pela minha profissão, pela minha família, pela minha história.
• Política pública real: crédito barato, infraestrutura eficiente, defesa sanitária, segurança jurídica.
• Preço justo: quero participar da formação do valor do meu produto. Chega de ser refém.
• Justiça tributária: pagar o que é justo, e não ser extorquido.
• Transparência: nas negociações, nas fiscalizações e no apoio do Estado.

Não quero esmola. Quero dignidade.
Não quero ser idolatrado, nem atacado.
Quero ser reconhecido pelo que sou: alguém que trabalha duro, assume riscos e gera riqueza.
Quero continuar produzindo, investindo, melhorando, mas preciso de condições para isso.

O meu recado é simples:
Sem nós, produtores rurais, não existe comida, não existe economia, não existe Brasil.
Nos respeitem, nos apoiem ou, ao menos, parem de nos atrapalhar.
O campo quer trabalhar, mas precisa sobreviver.
Esse é o grito silencioso de milhões de produtores, que como eu, resistem, lutam e produzem.

Mas que não podem mais continuar sendo invisíveis, nem continuar produzindo prejuízo para alimentar o lucro de quem nunca colocou o pé na terra.