Fim da Isenção da LCA: Mais Um Golpe no Financiamento do Agro

O governo federal anunciou o fim da isenção do Imposto de Renda sobre as LCAs – Letras de Crédito do Agronegócio. A medida impõe uma alíquota de 5% sobre os rendimentos, enfraquecendo diretamente uma das principais fontes de captação de recursos para o campo.

Fim da Isenção da LCA: Mais Um Golpe no Financiamento do Agro
Publicado em 09/06/2025 às 17:37
Por Celso Ricardo Ferreira – Consultor em Gestão Estratégica para o Agronegócio

O governo federal anunciou o fim da isenção do Imposto de Renda sobre as LCAs – Letras de Crédito do Agronegócio. A medida impõe uma alíquota de 5% sobre os rendimentos, enfraquecendo diretamente uma das principais fontes de captação de recursos para o campo.
Em 2023, as LCAs movimentaram mais de R$ 450 bilhões em investimentos, com crescimento de 31,5% em relação ao ano anterior.
Esses títulos são essenciais para manter o fluxo de crédito privado ao setor, reduzindo a dependência de recursos públicos.

Com a nova tributação:
➡️ O investidor perde atratividade;
➡️ O custo do crédito sobe;
➡️ O produtor rural, já pressionado por margens apertadas, terá ainda mais dificuldade de acesso ao financiamento.
📉 Segundo a CNA, mais de 60% dos produtores rurais brasileiros dependem de crédito para custear a produção.
📈 E o endividamento rural já ultrapassa R$ 1,1 trilhão, segundo dados do Banco Central.

Essa decisão afeta diretamente a base da produção nacional. O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e de frango, e o 2º maior exportador de grãos. Um setor estratégico que responde por quase 25% do PIB.

Retirar incentivos do crédito agro em um momento de instabilidade global e interna é um erro estratégico. A medida vai na contramão de países que estão ampliando subsídios e crédito barato ao setor produtivo.

O agronegócio precisa de apoio e confiança, não de mais obstáculos.
Essa tributação não é apenas um ajuste fiscal. É uma decisão que compromete o futuro de milhares de produtores, o abastecimento interno e a competitividade global do Brasil.

O Brasil não pode tratar o agro como fonte de arrecadação. O agro precisa de segurança, crédito e política pública eficiente. Agora.