Análise Técnica sobre os Modos de Transporte da Soja – Brasil x EUA

O comparativo entre Brasil e Estados Unidos na logística de exportação da soja evidencia de forma clara o principal gargalo de competitividade do agro brasileiro: a infraestrutura de transporte.

Análise Técnica sobre os Modos de Transporte da Soja – Brasil x EUA
Publicado em 16/09/2025 às 18:02
Por Celso Ricardo Ferreira – Consultor em Gestão Estratégica em Agronegócio

O comparativo entre Brasil e Estados Unidos na logística de exportação da soja evidencia de forma clara o principal gargalo de competitividade do agro brasileiro: a infraestrutura de transporte.

1. Dependência Rodoviária No Brasil, 54% da soja é escoada por rodovias, contra apenas 16% nos EUA. Essa dependência excessiva do modal rodoviário gera custos elevados, expõe o setor à volatilidade do preço do diesel, à precariedade da malha viária e ao impacto direto de greves ou restrições logísticas.

2. Ferrovia em segundo plano
Embora os percentuais de utilização ferroviária sejam próximos (33% no Brasil contra 31% nos EUA), a realidade é distinta. Nos EUA, as ferrovias estão integradas às hidrovias e aos terminais portuários, assegurando eficiência e menores custos. No Brasil, a malha ferroviária é limitada, com baixa capilaridade e falta de conexão direta às áreas de produção.

3. Hidrovia subutilizada Hidrovia subutilizada
O dado mais crítico está no uso das hidrovias: apenas 13% no Brasil contra 53% nos EUA. Apesar do Brasil dispor de rios navegáveis estratégicos (Tocantins, Madeira, Tapajós, entre outros), a ausência de investimentos consistentes em hidrovias e terminais intermodais restringe a competitividade. O resultado é a perda de uma das opções de transporte mais baratas e sustentáveis.

4. Distância até terminais multimodais
A disparidade na distância média percorrida pelos produtores até os terminais multimodais é alarmante: 701 km no Brasil contra 80 km nos EUA. Isso significa que o produtor brasileiro percorre quase nove vezes mais distância até acessar infraestrutura de transporte eficiente, elevando de forma significativa o custo logístico por tonelada.

Conclusão Técnica
O Brasil mantém alta produtividade agrícola, mas essa vantagem é neutralizada pela deficiência logística. O excesso de rodovias, a falta de integração intermodal e a distância até os terminais portuários comprometem margens e reduzem a competitividade internacional.

Enquanto os EUA operam com logística barata, integrada e multimodal, o Brasil ainda depende de um modelo caro, ineficiente e distante das áreas de produção.
Para que o setor avance, é imprescindível a expansão das hidrovias, a modernização da malha ferroviária e a redução da distância média até terminais multimodais, tornando o agro brasileiro não apenas um campeão de produção, mas também de competitividade global.