O preço da Bolsa não chega ao cacauicultor brasileiro

O produtor de cacau brasileiro enfrenta mais uma dura realidade: não recebe o valor justo pela sua produção, mesmo em um momento em que o mercado internacional registra preços históricos.

O preço da Bolsa não chega ao cacauicultor brasileiro
Publicado em 03/10/2025 às 8:25
Por Celso Ricardo Ferreira – Consultor em Gestão Estratégica em Agronegócio

O produtor de cacau brasileiro enfrenta mais uma dura realidade: não recebe o valor justo pela sua produção, mesmo em um momento em que o mercado internacional registra preços históricos.

Enquanto a Bolsa de Nova York aponta cotações recordes — impulsionadas pela quebra de safra na Costa do Marfim e em Gana, os maiores produtores mundiais —, no Brasil as indústrias processadoras (AIPC) impõem deságios abusivos e pagam muito abaixo do valor de referência internacional.

Essa prática tem um objetivo claro: segurar as altas no mercado interno e proteger as margens da indústria, às custas do sacrifício do cacauicultor. O resultado é perverso: o produtor enfrenta custos crescentes, vê a valorização escapar pelas mãos e continua sendo tratado como a parte mais fraca da cadeia produtiva.

É inadmissível que, diante de uma escassez global de cacau e de preços em alta lá fora, quem planta no Brasil continue recebendo menos do que deveria. O cacauicultor não pode ser tratado como variável de ajuste no balanço da indústria.

Por isso, cobro medidas imediatas:

Transparência total nas tabelas de preços e nos critérios de desconto aplicados pelas processadoras;

Fiscalização rigorosa e investigação sobre práticas comerciais abusivas que prejudicam os produtores;

Compromisso real do MAPA em defender quem produz, e não apenas quem processa e exporta;

Fortalecimento da organização dos produtores, para que tenham voz ativa, poder de negociação e participação justa na renda do setor.