Alerta sobre o futuro da Pecuária Brasileira

Um estudo divulgado pela Embrapa acendeu um sinal de alerta: até metade das fazendas de pecuária no Brasil pode desaparecer nos próximos 20 anos se não houver mudanças estruturais na forma de produzir. O recado é claro — tecnologia, gestão e eficiência deixaram de ser diferenciais opcionais e passaram a ser condição de sobrevivência.

Alerta sobre o futuro da Pecuária Brasileira
Publicado em 27/09/2025 às 8:04
Por Celso Ricardo Ferreira – Consultor em Gestão Estratégica em Agronegócio

Um estudo divulgado pela Embrapa acendeu um sinal de alerta: até metade das fazendas de pecuária no Brasil pode desaparecer nos próximos 20 anos se não houver mudanças estruturais na forma de produzir. O recado é claro — tecnologia, gestão e eficiência deixaram de ser diferenciais opcionais e passaram a ser condição de sobrevivência.

De acordo com os especialistas, o produtor precisa se transformar em empresário, dominando números de custos, índices zootécnicos, fluxo de caixa, estratégias de comercialização e uso intensivo de dados. Hoje, apenas 16% das fazendas têm tronco com balança, o que significa que a grande maioria ainda decide no “achismo” e não em resultados medidos.

O estudo também aponta que a competitividade global, a pressão por eficiência e a necessidade de profissionalização vão separar quem fica no mercado de quem vai sair.

Na minha opinião, o que falta ser chegado
Apesar do impacto do alerta, há pontos cruciais que o estudo divulgado na mídia não deixa claros e que precisam ser analisados com cuidado: 1. Dados exatos e metodologia – Qual estudo específico da Embrapa serviu de base? Qual foi a amostra, a região pesquisada, e como chegaram à previsão de “20 anos”? 2. Custos de adoção das mudanças – Quanto custa, de fato, implementar tecnologia, gestão e sistemas de controle em uma fazenda média ou pequena? Sem estimativa de investimento, o discurso pode soar distante da realidade do produtor. 3. Diferenças regionais – O Brasil é continental. O que vale para Mato Grosso pode não se aplicar ao semiárido nordestino ou à Amazônia. O estudo não detalha essas variabilidades. 4. Influência de fatores externos – Preço internacional da carne, câmbio, custo de insumos, políticas de crédito e infraestrutura logística têm impacto direto na viabilidade das fazendas. Esses elementos não aparecem no resumo divulgado. 5. Papel das políticas públicas – Se o Estado não oferecer crédito acessível, seguro rural e assistência técnica, o caminho para metade das fazendas realmente pode ser o desaparecimento.

Conclusão
O alerta da Embrapa deve ser levado a sério: o produtor que não investir em gestão e tecnologia ficará para trás. Mas, ao mesmo tempo, é fundamental destacar que sem clareza nos dados, sem medir custos reais de adaptação e sem considerar diferenças regionais e políticas públicas, a projeção de “desaparecimento” carece de base sólida.
Ou seja: o risco existe, mas para agir de forma estratégica, precisamos de mais transparência, números concretos e análises detalhadas.