O Lema que Revela Hostilidade: “Defender a vida, combater o agronegócio”

O lema escolhido para a XII Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária, realizada na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), revela de forma cristalina um problema que ultrapassa os limites do debate acadêmico. Ao adotar oficialmente a frase “Defender a vida, combater o agronegócio”, a instituição não apenas validou um discurso de confronto, como também transformou um espaço público federal em palco de hostilidade contra um setor essencial da economia brasileira.

O Lema que Revela Hostilidade: “Defender a vida, combater o agronegócio”
Publicado em 24/09/2025 às 7:38
Por Celso Ricardo Ferreira – Consultor em Gestão Estratégica em Agronegócio

O lema escolhido para a XII Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária, realizada na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), revela de forma cristalina um problema que ultrapassa os limites do debate acadêmico. Ao adotar oficialmente a frase “Defender a vida, combater o agronegócio”, a instituição não apenas validou um discurso de confronto, como também transformou um espaço público federal em palco de hostilidade contra um setor essencial da economia brasileira.

O agronegócio responde por mais de 25% do PIB nacional, gera milhões de empregos, sustenta a balança comercial e garante o abastecimento interno de alimentos. Tratá-lo como inimigo a ser “combatido” é, no mínimo, um ato de injustiça institucionalizada. Mais do que isso, é uma tentativa de transformar em adversário político um segmento legalmente constituído, que cumpre papel estratégico no desenvolvimento do Brasil.

Não se trata de censurar críticas ou debates sobre impactos ambientais e sociais – absolutamente legítimos e necessários no meio acadêmico. O problema está em oficializar, com recursos públicos e apoio de uma universidade federal, um slogan de guerra contra a principal base produtiva do país. Isso não é ciência, nem diálogo plural. É ideologia travestida de educação.

Ao assumir esse lema, a universidade extrapola os limites da autonomia acadêmica e incorre em desvio de finalidade, pois a estrutura pública não pode ser usada para difundir mensagens de hostilidade contra um setor legal, muito menos para privilegiar movimentos políticos específicos.

É legítimo debater o agronegócio. O que não é legítimo é usar o poder simbólico e institucional de uma universidade federal para afirmar que “defender a vida” significa, necessariamente, atacar quem produz alimentos e gera riqueza para a nação.

Se essa lógica prevalecer, amanhã qualquer outro setor poderá ser tratado da mesma forma, sob o pretexto de “combate”, criando um ambiente de perseguição e intolerância incompatível com o espírito democrático e plural que deveria reger a vida universitária e pública no Brasil.