Programa Empreendendo –O Agronegócio Brasileiro e a Preservação dos Biomas: Uma Resposta Técnica ao Dossiê sobre o Cerrado

O recente dossiê publicado pelo Brasil de Fato, que denuncia suposta destruição ambiental e ameaça aos povos tradicionais do Cerrado, apresenta dados alarmantes sobre desmatamento e expansão agrícola. No entanto, é fundamental contextualizar essas informações e separar responsabilidade legal de interpretações generalistas.

Programa Empreendendo –O Agronegócio Brasileiro e a Preservação dos Biomas: Uma Resposta Técnica ao Dossiê sobre o Cerrado
Publicado em 18/09/2025 às 14:15
Por Celso Ricardo Ferreira – Consultor em Gestão Estratégica em Agronegócio

O recente dossiê publicado pelo Brasil de Fato, que denuncia suposta destruição ambiental e ameaça aos povos tradicionais do Cerrado, apresenta dados alarmantes sobre desmatamento e expansão agrícola. No entanto, é fundamental contextualizar essas informações e separar responsabilidade legal de interpretações generalistas.

1. Diversidade do setor agropecuário O agronegócio brasileiro é composto por milhões de propriedades, que variam de pequenas propriedades familiares a grandes produtores industriais. Muitos produtores adotam práticas sustentáveis, incluindo:
• Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), que combina produção agrícola, criação de animais e preservação florestal;
• Recuperação de áreas degradadas;
• Uso racional de pastagens, evitando desmatamento ilegal;
• Certificações ambientais reconhecidas internacionalmente.
Generalizar todo o setor como responsável pelo desmatamento ignora a amplitude de práticas legais e sustentáveis existentes.

2. O fator governamental e regulatório
Grande parte do desmatamento ocorre devido à fragilidade na fiscalização e incentivos equivocados, como:
• Falta de controle efetivo sobre grilagem de terras;
• Políticas públicas que, historicamente, abriram áreas de vegetação nativa para colonização sem critérios ambientais claros;
• Registro sobreposto de reservas legais em áreas coletivas, prática ilegal e que foge ao controle de produtores responsáveis.
Portanto, não é o agronegócio como um todo que destrói, mas sim ações ilegais facilitadas por omissões do Estado.

3. Produção agrícola e preservação ambiental coexistem
Dados oficiais do IBGE, MAPA e Embrapa mostram que o setor agropecuário moderno brasileiro:
• Concentra produção em áreas já abertas, reduzindo pressão sobre vegetação nativa;
• Aumenta produtividade sem expansão descontrolada, através de tecnologia e manejo sustentável;
• Investimentos em pesquisa contribuem para técnicas de conservação e recuperação de biomas

3. Impacto social positivo
Além disso, o agronegócio gera emprego, renda e infraestrutura em regiões remotas, muitas vezes garantindo sustento para comunidades locais e evitando deslocamento forçado. Demonizar o setor sem diferenciar entre práticas legais e ilegais ignora esses impactos positivos.

Conclusão
Acusar o agronegócio brasileiro como único responsável pela destruição do Cerrado é uma simplificação perigosa. A realidade exige uma análise técnica que considere:
• A diversidade de práticas agrícolas;
• A responsabilidade do Estado na fiscalização e na regularização fundiária;
• O investimento crescente em tecnologias sustentáveis e integração ambiental.
O desafio ambiental do Brasil deve ser enfrentado com diálogo, políticas públicas eficazes e cooperação entre setor produtivo e órgãos reguladores, e não com acusações generalizadas que colocam todo o setor na posição de vilão.