O Blefe dos Frigoríficos e o Preço da Arroba: Quem Realmente Ganhou com a Tarifa de 50% dos EUA


Nas últimas semanas, os grandes frigoríficos brasileiros — JBS, Marfrig e Minerva — espalharam o discurso de que a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre a carne bovina brasileira iria reduzir drasticamente os abates no país e afetar as exportações. Essa narrativa foi amplamente repercutida no mercado, criando a sensação de crise e pressionando o pecuarista a acreditar que haveria queda na demanda interna.

O resultado dessa pressão psicológica foi imediato: o preço da arroba do boi caiu, atingindo diretamente a receita do produtor rural. Enquanto isso, o consumidor brasileiro não viu alívio no preço da carne nos açougues — sinal claro de que a suposta “crise” serviu mais para reforçar margens industriais do que para refletir uma realidade de mercado.

A Verdade por Trás da Tarifa
O que a narrativa dos frigoríficos esconde é simples: as gigantes JBS e Marfrig operam de forma massiva dentro dos próprios Estados Unidos.
• JBS possui operações robustas no mercado americano, abatendo e vendendo localmente, praticamente blindada contra a tarifa.
• Marfrig, dona da National Beef, também processa e comercializa grande parte da sua produção nos EUA, sem depender de carne embarcada do Brasil.
Ou seja: a tarifa de 50% quase não afeta essas empresas. Elas continuam vendendo normalmente para o mercado norte-americano, seja por meio da produção local, seja por unidades em países vizinhos (Uruguai, Argentina e Paraguai), que não estão sujeitos à mesma taxação.

E a Minerva?
A Minerva, que não tem abates nos EUA, foi apontada como a mais vulnerável. Mas, segundo estimativas, o impacto sobre sua receita é de apenas 5%. Isso porque a companhia mantém exportações diversificadas a partir de outros países sul-americanos, também fora do alcance da tarifa.

O Jogo de Bastidores
Quando empresas com tamanho poder de mercado alimentam a narrativa de que haverá queda nos abates, o efeito é claro: o pecuarista vende mais barato e o frigorífico compra com desconto.
• Quem perdeu: o produtor brasileiro, que viu o preço da arroba despencar.
• Quem ganhou: os frigoríficos, que continuaram exportando para os EUA sem qualquer crise operacional real.
Isso não é apenas um reflexo de um mercado volátil, mas sim uma estratégia comercial que se aproveita da assimetria de informação entre indústria e produtor.

Conclusão
A tarifa de 50% dos EUA não derrubou as exportações das gigantes do setor. O que derrubou foi a confiança do produtor, minada por um discurso construído para enfraquecer o preço da arroba no Brasil.
Enquanto o pecuarista lutava para fechar a conta no vermelho, JBS, Marfrig e Minerva seguiram abastecendo o mercado americano sem grandes dificuldades, protegidas pela diversificação geográfica e pela estrutura internacional que já possuíam.
O blefe funcionou — mas só para um lado.





