Rastreabilidade: O Custo é do Pecuarista, o Lucro é do Frigorífico
O governo brasileiro quer implantar até 2032 o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, tornando obrigatória a rastreabilidade para todo o rebanho bovino e bubalino do país — mais de 234 milhões de cabeças.


O governo brasileiro quer implantar até 2032 o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, tornando obrigatória a rastreabilidade para todo o rebanho bovino e bubalino do país — mais de 234 milhões de cabeças.

Na teoria, é um avanço: mais controle sanitário, mais credibilidade e acesso a mercados premium.
Na prática, é mais um custo imposto ao produtor sem retorno proporcional.
Hoje, o número de bovinos efetivamente rastreados no Brasil é baixo — menos de 5% do rebanho nacional cumpre todos os requisitos de rastreabilidade individual exigidos por mercados como a União Europeia.

Por outro lado, cerca de 85% dos bovinos abatidos no país possuem potencial aptidão sanitária para atender a esses mercados (idade, vacinação, manejo sanitário), mas não estão rastreados.
Ou seja:
• Com bônus cheio e garantido, a margem é mínima e instável.
• Com bônus baixo ou inexistente — como acontece na maioria dos casos — o prejuízo é inevitável.
O desequilíbrio é claro:
• Frigorífico: vende a carne rastreada no mercado premium (como União Europeia e Ásia) por até 20% a mais.
• Governo: cumpre exigências internacionais, evita barreiras comerciais e não investe um centavo para custear o sistema.
• Produtor: paga a conta e absorve o prejuízo.
Se o governo quer universalizar o sistema, por que o custo não fica com ele?
Por que não criar um fundo nacional de incentivo ou uma linha de crédito subsidiada para o produtor rural?

Estamos falando de um setor que já enfrenta margens apertadas, queda no preço da arroba e aumento dos custos de produção.

Forçar a rastreabilidade sem política de compensação é empurrar o pecuarista para mais endividamento.
No fim, o que vendem como “avanço” é, na verdade, mais uma política que fortalece a indústria e enfraquece a base da produção.

Com mais de 28,5 milhões de brasileiros ligados direta ou indiretamente à pecuária, a conta dessa escolha vai muito além da porteira — e vai pesar no Brasil inteiro.

👉👉👉 Depoimento de um importante líder ruralista que fez parte do governo Bolsonaro (2019-2022).
Quando eu estava no Governo(2019/2022),lutei muito contra essa obrigatoriedade imposta pelo oligopólio da carne com aval e assinatura do MAPA.
Graças ao Presidente Bolsonaro consegui barrar esse absurdo ditatorial cujo lobby saiu derrotado.
Hoje vejo a postura não apenas do governo, mas de todos que se deixam levar por esse mesmo lobby escancarado e injusto que encontrou facilidade e apoio para impor ao pecuarista essa vergonha imposta como obrigatoriedade, pior ainda, para favorecer unicamente a indústria da carne bovina, cujo setor que sempre enriqueceu e enriquece às custas do produtor pecuarista.
Por isso, a cada ano nosso rebanho bovino diminui, em desacordo com os números e índices escusos, mas sim a mais pura realidade, nosso rebanho vem minguando a cada ano que passa.
Enfim, “como é difícil ser produtor rural nesse país de privilégios para poucos e injustiças para muitos”
Nabhan Garcia, agropecuarista e Presidente da UDR – União Democrática Ruralista.




