Modelo de Gestão Correto e Integrado para o Agronegócio Brasileiro

Modelo de Gestão Correto e Integrado para o Agronegócio Brasileiro
Publicado em 24/05/2025 às 10:02
Por Celso Ricardo Ferreira – Consultor em Gestão Estratégica para o Agronegócio, Escritor e Palestrante
  1. Gestão Sistêmica e Interconectada O agro não é um setor isolado, mas sim um sistema interdependente: produção primária, insumos, indústria, logística, crédito, comércio e consumo.
    Modelo de gestão deve ser:
    • Horizontal: integrar todas as cadeias produtivas.
    • Vertical: alinhar cada etapa dentro das cadeias de valor, do campo ao consumidor.
    Cada decisão deve considerar impactos cruzados:
    ex.: política para grãos → afeta custos da pecuária → influencia preço final da carne.
  2. Gestão baseada na Viabilidade Econômica
    O modelo precisa garantir que todas as etapas da cadeia sejam financeiramente sustentáveis.
    Deve incluir:
    • Mapeamento dos custos reais em cada elo.
    • Formação justa de preços, evitando concentração de poder.
    • Proteção de margem para o produtor primário, que hoje opera no prejuízo em muitas cadeias.
    Sem viabilidade econômica, não há produção sustentável.
  3. Gestão com foco em Cadeia de Valor e não só de Produto
    A gestão deve focar na valorização integral do que se produz:
    • Carne não é só carne → inclui couro, miúdos, pedra de vesícula…
    • Soja não é só grão → inclui farelo, óleo, biodiesel…
    Modelo de gestão deve:
    • Mapear todos os subprodutos.
    • Garantir transparência e justa remuneração em cada etapa.
    • Evitar que apenas indústrias capturem a maior parte do valor.
  4. Gestão orientada por dados e indicadores
    Não dá mais para gerir o agro na base da intuição.
    É preciso:
    • Sistemas de inteligência de mercado.
    • Indicadores claros: produtividade, custos, preços, riscos.
    • Monitoramento de sustentabilidade ambiental.
    Gestão baseada em evidências, não em narrativas.
  5. Governança setorial articulada
    O agro brasileiro carece de uma gestão institucional articulada.
    Modelo ideal:
    • Representação efetiva do produtor na formulação de políticas.
    • Fortalecimento de conselhos intersetoriais, com presença das cadeias produtivas.
    • Integração de políticas: tributária, creditícia, logística e ambiental.
  6. Gestão com foco em Sustentabilidade e Inovação
    O agro brasileiro precisa de um modelo que:
    Garanta rentabilidade.
    Respeite padrões ambientais.
    Invista em inovação tecnológica.
    Só assim teremos:
    • Produtividade crescente com menos impacto ambiental.
    • Manutenção da competitividade internacional.
  7. Gestão baseada em Risco e Resiliência
    O produtor brasileiro enfrenta riscos climáticos, sanitários e de mercado.
    Modelo correto inclui:
    • Gestão de riscos climáticos (seguros, sistemas de alerta).
    • Planos de contingência sanitária.
    • Ferramentas de proteção de renda (como contratos futuros, seguro de preço).

Síntese: O Modelo Correto de Gestão do Agro Brasileiro Precisa Ser:
Sistêmico: conectando todas as cadeias.
Baseado em dados: decisões com inteligência e estratégia.
Focado na viabilidade: garantindo renda justa para quem produz.

Conclusão: O Preço da Ausência de um Modelo Correto de Gestão no Agro Brasileiro
A falta de um modelo de gestão sistêmico, baseado na viabilidade, na transparência e na governança participativa, tem levado o produtor rural brasileiro a um caminho sem saída:
O endividamento crescente, que hoje já ultrapassa R$ 1,2 trilhão;
A perda de autonomia, ficando cada vez mais dependente de crédito caro e políticas públicas ineficazes;
A entrega do controle das cadeias produtivas aos oligopólios industriais, às trading companies e às multinacionais, que ditam preços, condições e capturam a maior parte do valor gerado.
E o mais grave:
O agronegócio brasileiro — que poderia ser um símbolo de independência, soberania e força econômica — está hoje dependente da China, tanto para comprar nossa produção quanto para fornecer insumos essenciais, como fertilizantes e defensivos.

Ou seja:
Dependemos da China para produzir.
Dependemos da China para vender.
Sem um modelo de gestão correto, o agro brasileiro seguirá refém de interesses externos, vulnerável às oscilações de mercado e, pior, condenando o produtor rural à insolvência e à exclusão.
“Sem gestão, não há viabilidade; sem viabilidade, não há produção; e sem produção, não há soberania.”