EUA e China chegam a um acordo sobre tarifaço, com redução das taxas por 90 dias

EUA e China Retomam Conversas, e o Brasil Fica Sem Lugar na Mesa Como eu já havia alertado, a reaproximação entre Estados Unidos e China era apenas questão de tempo. Dois gigantes que disputam influência global não podem se dar ao luxo de romper completamente — eles brigam, mas negociam. E agora, com a retomada das conversas, quem escolheu um lado nessa disputa corre o risco de ficar isolado. Infelizmente, o Brasil fez exatamente isso.

EUA e China chegam a um acordo sobre tarifaço, com redução das taxas por 90 dias
Publicado em 13/05/2025 às 9:41
Por Celso Ricardo Ferreira – Consultor em Gestão Estratégica em Agronegócio, Escritor e Palestrante.

EUA e China Retomam Conversas, e o Brasil Fica Sem Lugar na Mesa
Como eu já havia alertado, a reaproximação entre Estados Unidos e China era apenas questão de tempo. Dois gigantes que disputam influência global não podem se dar ao luxo de romper completamente — eles brigam, mas negociam. E agora, com a retomada das conversas, quem escolheu um lado nessa disputa corre o risco de ficar isolado. Infelizmente, o Brasil fez exatamente isso.

Em 2023, o comércio bilateral entre Estados Unidos e China somou mais de US$ 575 bilhões, mesmo em meio às tensões. Isso mostra que, apesar das disputas geopolíticas, a interdependência econômica entre os dois países continua muito forte. Em 2024, as conversas entre as delegações comerciais foram retomadas oficialmente, com compromissos públicos de cooperação em áreas como clima, tecnologia e comércio agrícola.

Enquanto isso, o Brasil, que poderia se beneficiar como mediador e parceiro estratégico de ambos, optou por alinhar-se de forma explícita com a China. Em 2023, a China representou 30,7% das exportações brasileiras, enquanto os EUA ficaram com 10,7%, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Essa dependência crescente dos chineses limita a nossa capacidade de manobra e nos torna vulneráveis às decisões de fora.

Essa situação é o reflexo de uma política externa despreparada, sem visão de longo prazo, e de um agronegócio que não tem respaldo político estratégico. Para se ter uma ideia, em 2023, mais de 70% da soja brasileira foi exportada para a China. Ou seja, estamos com os dois pés em um único mercado, enquanto os EUA agora retomam negociações e podem recuperar parte do protagonismo comercial perdido.

Nosso setor produtivo precisa entender que geopolítica não é só disputa ideológica — é disputa de mercado. E quem erra na leitura do cenário internacional paga o preço em exportações, investimentos e competitividade.

Conclusão
O que agrava ainda mais esse cenário é a completa omissão do Ministério da Agricultura, que deveria ter orientado o presidente da República a manter o Brasil em posição neutra e estratégica. Mas não houve postura, nem visão — apenas silêncio e submissão. Agora, pagamos o preço da escolha errada.
E o mais grave: eu alertei que essa reaproximação entre EUA e China aconteceria. Enquanto isso, muitos comemoravam a guerra comercial, achando ingenuamente que o Brasil assumiria o protagonismo no mercado global. Fizeram festa com base em um conflito alheio, sem enxergar que aquilo era uma oportunidade passageira, que exigia planejamento e diplomacia firme. Agora, com EUA e China voltando a cooperar, tudo pode ir por água abaixo — e o Brasil corre o risco de se tornar ainda mais dependente da China, perdendo espaço, voz e poder de barganha.
Quem não entende o jogo geopolítico, vira peão. E o Brasil, infelizmente, está sendo conduzido como tal.