Modelo Econômico Ideal para o Agronegócio Brasileiro

Modelo Econômico Ideal para o Agronegócio Brasileiro
Publicado em 09/05/2025 às 10:36
Por Celso Ricardo Ferreira – Consultor de Agronegócio, Escritor e Palestrante
  1. Viabilidade no Centro da Política Agropecuária
    O agronegócio não pode mais operar sob a lógica do “produzir a qualquer custo”. O Estado deve fomentar modelos de gestão profissionalizados, com foco na eficiência produtiva, redução de custos e aumento de margem de lucro. Viabilidade econômica precisa ser critério técnico antes mesmo do crédito.
  1. Política de Crédito Inteligente e Modular
    Chega de prolongar dívidas. O crédito rural precisa ser modular, estratégico e vinculado à viabilidade do projeto, com taxas de juros diferenciadas conforme o nível de risco e impacto. O crédito deve andar junto com assistência técnica, análise de risco e metas de desempenho.
  1. Seguro Agrícola Nacional, Público-Privado e Obrigatório
    Nenhum país que leva o agro a sério deixa o produtor vulnerável ao clima. O Brasil precisa de um sistema nacional de seguro agrícola com subsídio parcial do Estado e gestão privada, obrigatório para acessar parte dos financiamentos. Isso reduz o risco sistêmico e dá previsibilidade ao setor.
  1. Política Externa Inteligente e Estratégica
    O agro brasileiro não pode ficar à mercê de acordos comerciais frágeis e da importação descontrolada como a IN 125. O governo precisa ter uma política externa agressiva na defesa dos nossos produtos e na abertura de novos mercados, com agregação de valor (menos soja e carne in natura, mais proteína processada e tecnologia tropical).
  1. Fomento à Industrialização no Campo
    A exportação de commodities puras gera renda, mas não riqueza real. Precisamos de incentivos à agroindustrialização descentralizada, com frigoríficos regionais, indústrias de derivados e cooperativas equipadas. O campo não pode ser apenas produtor — ele deve ser dono da cadeia.
  1. Gestão Profissional como Requisito
    O Estado deve promover programas nacionais de formação em gestão para produtores rurais, conectando-os a sistemas de controle, análise de mercado e planejamento estratégico. A agricultura do futuro será comandada por quem souber fazer conta e interpretar cenário.
  1. Sustentabilidade com Retorno
    A pauta ESG (ambiental, social e de governança) precisa ser incorporada com objetividade e retorno financeiro. Quem preserva deve ser remunerado pelo serviço ambiental, e não apenas cobrado por regras. O Brasil pode liderar o mundo com soluções de carbono e biodiversidade — desde que ganhe para isso.

Resumo:
O modelo ideal é misto, inteligente e viável.
Nem um agro 100% estatizado, nem um agro totalmente largado ao mercado.
É um agro com autonomia de produção, inteligência de gestão, proteção do Estado nos riscos sistêmicos e protagonismo nas decisões políticas e comerciais.