Editorial | Dia do trabalhador, momento de esperança


O mês de maio já tem no seu primeiro dia a marca da história de luta da classe trabalhadora que reivindica condições de vida e trabalho dignos. O primeiro de maio é símbolo da necessidade cada vez mais latente de lutar pelos direitos dos trabalhadores..
Vivemos tempos de retrocesso, desemprego, flexibilização das leis trabalhistas, a cada dia os postos de trabalho informais crescem, sendo a realidade da maior parte das famílias brasileiras, tornando cada vez mais importante a organização da classe na luta pelos direitos.
Queremos direito de trabalhar e trabalhar com direitos – direito ao trabalho digno, à educação de qualidade, à cultura, à vida na periferia. E por isso, é preciso seguir lutando e resistindo.

Maio também é mês das mães. E quantas delas sofrem a morte de seus filhos? Mortes pela ação do Estado ou por sua ausência. Para o povo: fome, pobreza e morte. Esse é o retrato do projeto que está colocado no Brasil. Não dá mais.
Estatisticamente, a situação do mercado de trabalho brasileiro, dita pelo governo que, é tão boa que alguns economistas indicam que o país vive o que alguns manuais de teoria econômica chamam de “pleno emprego”. Porém, os números, entretanto, camuflam uma situação não tão favorável assim ao trabalhador, ainda muito afetado pela informalidade e a precariedade dos trabalhos disponíveis no Brasil.
“Pleno emprego não é emprego pleno”. Não é porque determinado número de trabalhadores estão empregados que todos estão vivendo a plenitude do trabalho.

O chamado “pleno emprego” é conceitualmente alcançado quando o desemprego cai a um patamar tão baixo que quase já não há mais trabalhadores em busca de trabalho num país, por exemplo. Nesta hipótese, para “convencer” trabalhadores a aceitar um emprego, os empresários precisam elevar salários a tal ponto que isso começa a criar efeitos colaterais para a economia, como a inflação.
A situação teórica não significa uma realidade ideal para o trabalhador, principalmente no caso brasileiro. Estar em situação de pleno emprego não significa que a economia não tem problemas no setor no mercado de trabalho. No Brasil, ainda existe um alto nível de informalidade e boa parte do emprego gerado é de menor renda.
Segundo o IBGE, no trimestre encerrado em março, 38% dos trabalhadores brasileiros ocupados tinham um trabalho informal – ou seja, não tinham garantidos direito como férias e 13º salário ou eram autônomos sem qualquer registro. A taxa é a menor já registrada, tirando aquela alcançada na pandemia, em que informais foram os que mais perderam trabalho.

De acordo com o IBGE, um trabalhador brasileiro ganha em média R$ 3.410 por mês – maior valor já medido pelo instituto desde o início da série histórica, em 2012. Isso, entretanto, está abaixo do rendimento de trabalhadores chilenos e mexicanos.
Além dos informais, no Brasil, há muitos trabalhadores subocupados estatisticamente contando como empregados. São pessoas que trabalham, mas menos horas do que gostariam, provavelmente porque a renda delas é menor do que a necessária para suas necessidades”, acrescentou. Ainda temos os desalentados, que são os que não procuram trabalham porque, às vezes, não têm dinheiro para o ônibus.
De acordo com o IBGE, o Brasil tinha até o final de março 15,9% dos trabalhadores subocupados e outros 2,8% desalentados. Eles não engrossam a fila dos desempregados, mas são “sintomas de um mercado de trabalho extremamente doente.

Realidade além dos números
A realidade do trabalhador brasileiro está bem pior do que mostram os números. A reforma trabalhista de 2017 e outras opções políticas assumidas pelo Brasil nos últimos anos, priorizando o setor econômico agroexportador, fragilizaram a situação do trabalhador. Hoje, a flexibilização do trabalho é tamanha que, apesar de empregado, um trabalhador não sabe quando trabalha, quanto ganhará no mês e se terá trabalho no mês seguinte.
O país está com trabalho imprevisível, instável, insuficiente e, acima de tudo, gerido de uma forma algorítmica”, onde os mais de 2 milhões de trabalhadores que prestam serviços contratados por plataformas digitais, como aplicativos de entrega. Não dá para se animar com número de PIB e desempenho econômico porque, da forma como eles são obtidos hoje, eles não trazem bem-estar.
O trabalhador brasileiro sente-se tão pressionado pelas más condições do mercado de trabalho que o país vive uma “epidemia de adoecimento mental”. Em 2024, o país registrou 470 mil afastamentos relacionados a transtornos como depressão e ansiedade.
A pressão que massacra o trabalhador hoje está relacionada a cobranças de metas irrealizáveis, a baixa clareza nas tarefas, às relações de assédio frequentes nos ambientes de trabalho e às questões dos horários e jornadas de trabalho.
Apesar do “pleno emprego”, o trabalhador está pior hoje do que estava há dez anos. Hoje os trabalhadores estão numa situação pior do que estavam em 2012 ou 2013, quando a taxa de desemprego era até maior.

Vejamos algumas soluções
o Brasil precisa avançar em sua reindustrialização para tentar melhorar a qualidade de vida do seu trabalhador. É na indústria que um trabalhador consegue um emprego estável e com remuneração razoável.
A economia tem que continuar crescendo e, fundamentalmente, se reindustrializar para absorver essa mão de obra que está em setores de baixa produtividade – nos setores de produtividade mais alta, mas que não exigem um nível tão grande de educação formal.
A indústria consegue absorver mão de obra com um nível médio de escolaridade em atividades com nível de produtividade mais alto.
A melhora do rendimento do trabalhador, a queda da informalidade e a redução do desemprego são fatos inquestionáveis. O trabalhador não sente todas essas melhoras por conta da inflação, que está em alta.
O mercado de trabalho brasileiro tem muito o que melhorar. Você tem que ter uma indústria mais forte e serviços de alta tecnologia, de valor agregado, de maior produtividade.
É preciso uma revisão de pontos da reforma trabalhista para fortalecer a importância de sindicatos em negociações. Entre os principais pontos do movimento sindical brasileiro, tem de estar o fim da jornada 6×1, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o fortalecimento dos sindicatos.
A história mostra que as conquistas da classe trabalhadora sempre vieram com muita briga, muita luta e, especialmente, muita conscientização e participação popular.




