Brasil está entrando em ‘ciclo perverso’, diz empresário dono da MRV e CNN e Cartão de Crédito e Pix

Brasil está entrando em ‘ciclo perverso’, diz empresário dono da MRV e CNN e                    Cartão de Crédito e Pix
Publicado em 05/01/2025 às 9:52
Foto: reprodução redes sociais

O empresário Rubens Menin, fundador da MRV, Banco Inter e CNN Brasil, expressou preocupação com os rumos da economia brasileira em uma entrevista à Folha de S.Paulo. Segundo ele, o país está enfrentando um “ciclo perverso” desencadeado pela alta taxa de juros, o que pode comprometer seriamente o crescimento econômico.

Menin destacou que a taxa Selic, projetada para alcançar entre 14,75% e 15% até o final de 2025, está dificultando o acesso ao crédito e prejudicando diversos setores, como o mercado imobiliário. “Estamos pagando juros altíssimos, o segundo mais alto do mundo, e isso não faz sentido”, afirmou. “Aos poucos, [o mercado] vai sangrando, sangrando, até um momento que não tem volta”.

Para o empresário, a atual política monetária conduzida pelo Banco Central não está alinhada às demais ações econômicas. Ele criticou o controle da inflação baseado exclusivamente no aumento dos juros, defendendo a necessidade de uma coordenação maior entre as diferentes esferas da economia para evitar mais danos ao crédito e ao consumo.

No setor imobiliário, onde a MRV se destaca, Menin alertou que os juros elevados já estão limitando as condições de financiamento. Embora programas como o Minha Casa, Minha Vida tenham instrumentos para controlar as taxas, a restrição de recursos causada pela alta dos juros está afetando o crédito para diversas faixas de renda.

Crítica à comunicação do governo

Além de apontar a elevação da Selic como um grande entrave, Menin criticou a falta de clareza na ‘comunicação’ do governo federal em relação à responsabilidade fiscal. Ele afirmou que ‘mensagens contraditórias’ têm gerado insegurança no mercado e aumentado a volatilidade dos juros futuros.

“Estamos perdendo a guerra da comunicação e, na hora que isso acontece, o mercado fica estressado e um gatilho é disparado: os juros futuros sobem e o Banco Central fica em alerta. Estamos entrando em um ciclo perverso”, disse Menin. Para ele, governo e agentes econômicos devem trabalhar em conjunto para criar uma agenda que estabilize as expectativas e torne o ambiente de negócios mais confiável.

Efeitos no crédito

Os impactos dos juros altos vão além do mercado imobiliário, afirmou Menin. Ele destacou que o sistema bancário também enfrenta dificuldades, como o aumento da inadimplência e a necessidade de critérios mais rigorosos para concessão de crédito. No Banco Inter, fundado por Menin, a análise de risco mais rígida está afetando especialmente as populações de menor renda.

“Os juros altos são uma armadilha para as pessoas, comprometem uma parte da renda e são nocivos tanto para os bancos como para toda a indústria. Os bancos tentam se defender sendo mais restritivos e muitas empresas não conseguem captar dinheiro, então elas estão mais fracas e mais vulneráveis”, explicou. “É preocupante”.

Necessidade de diálogo

Menin concluiu ressaltando que a superação desse cenário demanda esforços conjuntos. Ele defendeu a independência do Banco Central, mas argumentou que as políticas fiscal e monetária precisam ser mais bem integradas.

“[Estamos] vivendo um momento extremamente delicado. Os agentes de mercado estão mostrando isso. Existe um ceticismo em relação à nossa economia”, concluiu o empresário. Veja abaixo trechos da entrevista e clique AQUI para ver na íntegra.

O BC aumentou a taxa de juros em 1 ponto percentual, e agora o mercado já espera uma Selic de 14,75% no fim de 2025. O sr. acha que o BC pesou a mão na decisão?

Eu tenho que deixar bem claro que sou a favor e respeito o BC independente. Isso é indiscutível. Mas posso discordar de forma construtiva. O Banco Central tem uma missão única, que é entregar a inflação na meta de 3%. E, em função dessa meta, ele faz uso da política monetária. Mas eu acho que a política monetária sozinha não consegue resolver o problema do Brasil. Estamos pagando juros altíssimos, o segundo mais alto do mundo, e isso não tem sentido. Eu vejo que a nossa economia está melhor do que aparenta estar. Temos uma balança comercial razoável, temos reservas, o PIB [Produto Interno Bruto] está indo bem, a taxa de emprego está indo bem…

Mas a inflação está piorando.

E esse é um ponto nevrálgico. Não tinha como isso não acontecer. Quando o PIB cresce e quando sobe o dólar, automaticamente isso é repassado para os preços. Estamos fazendo uma corrida de cachorro atrás do rabo. Não podemos deixar a inflação escapar desse nível que está, que é perigoso e difícil de botar dentro da caixa de novo. O risco é muito alto. Então, acho que nós estamos, sim, vivendo um momento extremamente delicado. Os agentes de mercado estão mostrando isso. Existe um ceticismo em relação à nossa economia. 

Receita Federal passa a monitorar dados de Cartão de Crédito e Pix

Pix é o pagamento instantâneo brasileiro. O meio de pagamento criado pelo Banco Central (BC) em que os recursos são transferidos entre contas em poucos segundos, a qualquer hora ou dia. É prático, rápido e seguro.

Foto: EBC; Fontes: Veja; Exame

A Receita Federal intensificará a fiscalização de transações financeiras a partir deste ano, conforme as novas regras estabelecidas na Instrução Normativa 2.219/2024. A medida, que visa combater a evasão fiscal, passou a valer no dia 1º de janeiro.

Agora, além de bancos tradicionais, instituições de pagamento e operadoras de cartões de crédito deverão reportar informações financeiras. Entre as transações monitoradas estão aquelas realizadas por meio de carteiras digitais, bancos digitais e sistemas como Pix. Para pessoas físicas, operações que ultrapassem R$ 5 mil no mês devem ser informadas; para empresas, o limite é de R$ 15 mil.

Os dados serão enviados semestralmente por meio da e-Financeira, sistema eletrônico que faz parte do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped). Os prazos para o envio são o último dia útil de agosto, para informações do primeiro semestre, e o último dia útil de fevereiro, para os dados do segundo semestre do ano anterior.

De acordo com a Receita Federal, a e-Financeira já consolidava informações de bancos e cooperativas de crédito, como saldos, investimentos e rendimentos. Com a atualização, o sistema passa a incluir também operações de empresas autorizadas pelo Banco Central, como plataformas de pagamento, bancos virtuais e grandes varejistas

A coleta semestral está alinhada ao padrão internacional CRS (Padrão de Declaração Comum), adotado globalmente. Em nota, o órgão destacou: “[As medidas] reforçam os compromissos internacionais do Brasil, contribuindo para o combate à evasão fiscal e promovendo a transparência nas operações financeiras globais.”

A mudança é motivada pelo avanço das transações digitais e do comércio eletrônico, que tornaram-se mais relevantes nos últimos anos. Dados referentes ao primeiro semestre de 2025, por exemplo, deverão ser enviados ao Fisco até agosto do mesmo ano. 

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